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Saúde mental

Saúde mental do idoso: sinais de alerta e quando procurar ajuda

Depressão na pessoa idosa: como ela se apresenta, quais sinais observar, como é feita a avaliação médica e quais são as opções de tratamento.

Por Dra. Maria Ribeiro Cavalcante7 min de leitura

Idosa sentada no sofá de casa conversando com uma mulher ao seu lado
Foto: Jsme MILA / Pexels
Neste artigo

Tristeza constante não é coisa da idade

Envelhecer traz perdas reais: a aposentadoria, a morte de amigos e familiares, doenças crônicas, menos autonomia. Sentir tristeza nesses momentos é esperado. Quando o desânimo dura semanas e começa a atrapalhar a rotina, pode ser depressão, que tem tratamento em qualquer idade.

A depressão também é mais comum em quem tem outras doenças. Ela aparece com frequência depois de um AVC, na doença de Parkinson, nas doenças do coração e em quem convive com dor crônica. Nesses casos, cuidar do humor faz parte do tratamento da doença principal.

Como a depressão aparece na pessoa idosa

Para o diagnóstico de depressão maior, os critérios exigem pelo menos cinco sintomas durante duas semanas ou mais. Um deles precisa ser humor deprimido ou perda de interesse e prazer pelas atividades (o que os médicos chamam de anedonia).

Na pessoa idosa, a tristeza nem sempre é o sintoma mais visível. Muitas vezes o quadro aparece como cansaço, dores sem causa clara, queixas sobre o corpo, irritação ou falta de vontade de fazer as coisas. Por isso a depressão costuma passar despercebida, ou é confundida com o próprio envelhecimento.

Vale conversar com a equipe de saúde se alguns destes sinais aparecerem e durarem mais de duas semanas:

  • Perda de interesse por atividades e pessoas de que gostava.
  • Mudanças no sono ou no apetite, com perda ou ganho de peso.
  • Lentidão para se mexer e falar, ou inquietação fora do comum.
  • Isolamento, menos vontade de sair de casa ou de receber visitas.
  • Irritação, ansiedade ou preocupação excessiva.
  • Esquecimentos ou dificuldade de concentração que antes não existiam.
  • Sentimento de culpa ou falas sobre ser um peso para a família.
  • Falas sobre não ver sentido em viver ou sobre a morte.

Depressão, demência ou outra causa?

A depressão pode prejudicar a memória e a atenção a ponto de parecer demência. Esse quadro costuma melhorar com o tratamento do humor. Ao mesmo tempo, sintomas depressivos que surgem pela primeira vez na velhice podem ser um sinal inicial de demência, e por isso a memória precisa ser acompanhada ao longo do tempo. Já o delirium (um estado de confusão mental) começa de forma rápida, com atenção que oscila ao longo do dia, e pede avaliação médica urgente.

Outras condições também afetam o humor e precisam ser descartadas, como hipotireoidismo, deficiência de vitamina B12 e anemia. Alguns medicamentos, inclusive certos calmantes e remédios para dormir, podem causar ou piorar sintomas depressivos, assim como o uso de álcool.

Como é a avaliação médica

A consulta começa pela conversa com a pessoa idosa e, se ela quiser, com a família. Para rastrear a depressão, o médico pode usar questionários validados, feitos para a pessoa idosa, com perguntas simples sobre humor, interesse e energia. O questionário não fecha o diagnóstico sozinho. Ele indica quem precisa de uma avaliação mais detalhada.

Na mesma avaliação, o médico costuma testar a memória, revisar todos os medicamentos em uso e pedir exames de sangue para checar a tireoide, as vitaminas, a glicose, os rins e sinais de anemia.

Opções de tratamento

O tratamento é definido com a pessoa idosa, de acordo com a gravidade dos sintomas e com as outras doenças e remédios em uso.

  • Psicoterapia, como a terapia cognitivo-comportamental, funciona bem sozinha nos casos leves e junto com medicamento nos moderados e graves.
  • Quando há indicação de antidepressivo, o médico escolhe opções mais seguras para a pessoa idosa, com menos efeitos colaterais e menos interações.
  • A dose inicial é baixa e aumenta aos poucos. O efeito pode levar de 4 a 8 semanas para aparecer.
  • No início do tratamento, o médico acompanha efeitos como queda do sódio no sangue, tontura e risco de quedas.
  • Alguns antidepressivos mais antigos em geral são evitados nessa idade porque causam boca seca, prisão de ventre, confusão e queda de pressão.
  • Depois da melhora, o remédio costuma ser mantido por pelo menos 6 a 12 meses para evitar que a depressão volte. A suspensão é feita aos poucos e com orientação médica.
  • Atividade física, sono regular e convívio com outras pessoas ajudam na recuperação e completam o tratamento.

Como a família pode ajudar

Perguntar diretamente como a pessoa está se sentindo, e escutar sem pressa, já ajuda. Manter contato frequente, incentivar encontros e atividades de que ela gosta e acompanhá-la às consultas também fazem diferença. Ajudar a lembrar dos remédios e avisar o médico sobre efeitos novos é especialmente útil nas primeiras semanas de tratamento.

Homens idosos estão entre os grupos com maiores taxas de suicídio. Perguntar sobre pensamentos de morte não aumenta o risco, e pode abrir espaço para pedir ajuda. Se esses pensamentos aparecerem, procure atendimento no mesmo dia. O CVV atende de graça, 24 horas, pelo telefone 188. Em uma emergência, ligue para o SAMU no 192.

Quer conversar sobre a saúde do seu familiar?

A Dra. Maria atende pessoas idosas em casa, no Rio de Janeiro, e por consulta online. Na consulta, ela revisa a saúde, os remédios e a rotina da pessoa e orienta a família sobre os próximos passos.

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